Dossiê Estratégico · Clube do Capital

Farol da Mirta
a leitura estratégica de um ativo raro.

Inteligência territorial, mercadológica e competitiva sobre um ativo consolidado na Orla Norte de Porto Seguro. Este documento não substitui estudo de viabilidade, recomendação de compra ou projeção de VGV: é a etapa anterior, a inteligência estratégica necessária para entender o potencial real do terreno e reduzir incertezas.

LocalizaçãoTaperapuã · Porto Seguro / BA
Área da matrícula89.000 m² · 8,90 ha
Preparado paraAdilson · Clube do Capital
R$ 8 bi+
Ciclo privado anunciado na região
2,3 mi
Passageiros no aeroporto, 11 meses de 2025
+20,76%
Crescimento aeroportuário Q1 2026
32,69%
Crescimento populacional 2010 a 2022
Seção 01 · Leitura Territorial

O território sustenta demanda, valorização e liquidez?

Nos últimos dez anos, Porto Seguro deixou de ser exclusivamente destino de turismo popular. O eixo sul, com Trancoso e Arraial d'Ajuda, atraiu Fasano, JHSF e Nômade. Enquanto o eixo sul se sofisticava, o eixo norte permanecia estagnado nos códigos do turismo popular. Esse descompasso é o que cria a oportunidade que este Dossiê analisa.

168.326
Habitantes fixos em Porto Seguro, com estimativa de 182.630 para 2025
IBGE Censo 2022
32,69%
Crescimento populacional 2010 a 2022, o dobro da média baiana e quatro vezes a nacional
IBGE
2.467.363
Turistas recebidos em 2024, razão de 13,5 turistas por residente fixo
Prefeitura de Porto Seguro
R$ 1.293
Renda domiciliar per capita mensal (2023). PIB per capita de R$ 29.763,04, 41ª posição do estado
IBGE Cidades

O que isso significa: a demanda para produtos de médio e alto padrão não vem da renda local. Ela vem de fora, principalmente de São Paulo, Minas Gerais, Sul do país e do exterior. Essa diferença muda o produto, muda o marketing e muda a sensibilidade macroeconômica do investimento.

Porto Seguro cresce ao dobro da Bahia e ao quádruplo do Brasil

Crescimento populacional 2010 a 2022 (%). Fonte: IBGE Censo 2022.

Fluxo aeroportuário em ruptura

Passageiros informados pela concessionária e SINEAA. Barras claras são estimativa do Clube do Capital a partir das variações percentuais oficiais informadas.

A cidade recebeu 2.467.363 turistas em 2024. A capacidade turística da microrregião ultrapassa 70.000 leitos. O Aeroporto Internacional de Porto Seguro registrou movimentação recorde em 2025: mais de 2,3 milhões de passageiros entre janeiro e novembro, crescimento de 15,6% sobre o mesmo período de 2024. O primeiro trimestre de 2026 manteve a alta, com crescimento de 20,76% sobre o Q1 de 2025 e cerca de 400,8 mil passageiros movimentados. A operação segue o padrão de destinos turísticos consolidados: pico entre dezembro e janeiro, vale entre maio e junho, retomada moderada no segundo semestre. A amplitude entre pico e vale é significativamente menor do que a percepção histórica de destino sazonal, o que confirma a operação anual do território.

Infraestrutura

O que já foi feito, o que está em execução, o que é promessa

O ciclo de investimento na região tem sido acelerado, tanto público quanto privado. A leitura honesta exige distinguir o que já foi entregue do que ainda depende de confirmação.

FEV 2025 A JUN 2026 · CONCESSÃO CONSOLIDADA

Aeroporto Internacional de Porto Seguro

A Socicam assumiu a gestão em fev/2025 (contrato emergencial), prorrogado em jan/2026 com outorga ajustada de R$ 450 mil para R$ 530 mil. Em jun/2026, o Governo da Bahia concluiu licitação formal: Socicam vence para operar 3 terminais (Porto Seguro, Senhor do Bonfim e Cocos) por 5 anos, outorga mensal de R$ 1,4 milhão, valor total próximo a R$ 85 milhões. No período emergencial, R$ 22 milhões foram aplicados em obras de pista, concluídas em 2024. Fato

ABR 2023 A JAN 2026 · A MONITORAR

Ponte para o Litoral Sul, Porto Seguro a Arraial d'Ajuda

Orçamento de R$ 80,7 milhões, 5,5 km de rodovia, ciclovia, três rotatórias e ligação entre o km 10 da BR-367 e o trevo de Arraial. Licitação concluída em 2023 (Consórcio Pórtico UFC-NM). Após atrasos em 2023 e 2024, obra retomada oficialmente em set/2025. Em jan/2026, vistoria do prefeito registrou fase de preparação de acessos e aterros, com a estrutura da ponte ainda não iniciada. Catalisador a monitorar, não presumir.

EM ANDAMENTO · A CONFIRMAR

Duplicação da BR-367

Trecho urbano conduzido pela Prefeitura. Existe divergência entre a narrativa política local, que trata o projeto como fato consumado, e a documentação federal do DNIT, que registra apenas obras de manutenção. Ponto a confirmar em due diligence.

2026 A 2032 · MAIOR CICLO PRIVADO DA HISTÓRIA RECENTE

Mais de R$ 8 bilhões em investimento anunciado

Yond (R$ 1,8 bi, Grupo Pegasus), Axêgu (meta R$ 5 bi em VGV até 2028, ex-YAH!, VCA Construtora), Fasano, JHSF, Nômade e projetos correlatos. A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 atua como catalisador de mídia global. Os movimentos observados sugerem uma janela limitada antes da consolidação de novos competidores no eixo norte.

Yond · Santo André

R$ 1,8 bi, Grupo Pegasus. 16 bangalôs e centro esportivo (2026 a 2027), resort de luxo até 2029, 185 unidades até 2032. Três seleções femininas já sinalizaram interesse para a Copa 2027.

Axêgu (ex-YAH!)

VCA Construtora. Meta de R$ 5 bi em VGV até 2028, com projetos em Porto Seguro, Ilhéus e Maraú.

Fasano, JHSF, Nômade

Trancoso: villas Fasano entre R$ 9,5 mi e R$ 25 mi. Nômade em pré-venda (60 bangalôs e 50 residências). JHSF prepara pré-lançamento no modelo Fazenda Boa Vista.

A Mata, Vila da Vila

A Mata (Nampur): casas entre R$ 5 e R$ 8 mi, entrega out/2027. Vila da Vila (KATZ), Santo André: casas a partir de R$ 2,6 mi. 63 investimentos hoteleiros planejados na região.

Seção 01 · O ativo no território

Farol da Mirta e a leitura honesta do preço

O ativo está no Eixo Norte de Porto Seguro, vetor Taperapuã, a cerca de 6,8 km do Aeroporto Internacional. A face leste do polígono está a aproximadamente 138 metros do eixo da BR-367 e entre 140 e 215 metros da linha de preamar.

Imagem de satélite real do Farol da Mirta com polígono do KMZ

Imagem de satélite real (Esri World Imagery) com o polígono extraído do arquivo KMZ georreferenciado do ativo. O terreno aparece como a mancha verde não edificada, cercada por adensamento residencial e de resorts, evidência visual direta da escassez de terrenos consolidados dessa escala no eixo.

89.000 m²
Área da matrícula, 8,90 hectares, referência dominial adotada
2,4 km
Distância ao norte até o Rio dos Mangues (limite sul da APA Coroa Vermelha), o que retira o ativo do perímetro da APA
138 m
Distância aproximada da face leste até o eixo da BR-367

Composição do terreno: três camadas funcionais

A análise honesta de um ativo exige distinguir entre área total, área edificável e área de amenidade. É essa distinção que separa uma leitura contábil de uma leitura econômica. A área oficial adotada é a da matrícula.

CamadaÁreaFunção primária
Área útil edificável20.000 m² · 22,5%Suporte de construção sob parâmetros APL-2. Base do potencial construtivo real.
Área hídrica12.000 m² · 13,5%Charco natural com potencial de reconversão em lago paisagístico, espelho d'água ou lazer aquático.
Faixa paisagística e amenidade57.000 m² · 64,0%Falésia, APP de restinga a confirmar, vista mar natural, corredor verde, potencial parque e áreas comuns.

A separação entre as três camadas é indicativa. O dimensionamento definitivo depende de levantamento topográfico e laudo botânico.

Composição interna do ativo

Matrícula: 89.000 m² (8,90 ha)

O que realmente importa: a área não edificável não é ociosa. Em produtos médio-altos e altos, a razão entre área privativa e área de amenidade paisagística é decisiva na formação de preço unitário. Poucos terrenos no eixo norte reúnem simultaneamente essa escala, essa localização e esse potencial paisagístico embutido.

Zoneamento e parâmetros construtivos

Parâmetro construtivoValor
Gabarito máximo8 metros (2 pavimentos)
Coeficiente de aproveitamento0,80
Taxa de ocupação0,40

Zoneamento APL-2 (APL-2A frente BR-367, APL-2B lotes internos); parte pode incidir sobre ZT (Zona de Tabuleiro). Definição precisa depende de certidão municipal em due diligence.

Potencial construtivo real

Base de cálculoÁreaCoef. 0,80
Sobre matrícula (teórica)89.000 m²71.200 m²
Sobre área útil edificável20.000 m²16.000 m²

O potencial construtivo operacional é da ordem de 16.000 m² computáveis de referência, antes de estudos de massa arquitetônico e de eventual desconto por APP de restinga confirmada.

Duas leituras do mesmo preço pedido

Leitura cartorial
R$ 247/m²

R$ 22 mi sobre a área bruta da matrícula (89.000 m²)

Leitura econômica
R$ 1.100/m²

R$ 22 mi sobre a área útil edificável (20.000 m²)

O mercado olha primeiro para a área total. Nossa disciplina é o caminho inverso: começamos pela área que realmente gera valor econômico. R$ 247/m² é uma leitura cartorial e não deveria estar na conversa. R$ 1.100/m² sobre a área útil é a leitura que sustenta qualquer decisão séria sobre este ativo.

Mariana Fontana · Diretora, Clube do Capital
Posição favorável

A leitura cartográfica preliminar indica que o ativo está ao sul do Rio dos Mangues, limite de referência da APA Coroa Vermelha. Isso pode representar menor exposição regulatória que concorrentes ao norte, mas a incidência sobre o polígono deve ser confirmada por consulta georreferenciada formal ao INEMA antes de qualquer decisão vinculante.

Ponto de atenção

STJ (dez/2025): restingas a até 300 m da linha de preamar podem constituir APP automática. A face leste do polígono está entre 140 e 215 m, o impacto exato depende de laudo botânico e consulta formal ao INEMA. Restrição adicional: Terra Indígena Coroa Vermelha, estudo Ponta Grande (Portaria FUNAI 750/2017), limites geográficos ainda não plotados.

Seção 02 · Análise de Concorrência

Como a concorrência se organiza?

Quem está no mercado, em que faixa opera e quais produtos o comprador já reconhece no eixo Taperapuã, Mundaí e Orla Norte. A concorrência regional está concentrada em dois polos: produtos compactos e de renda na Orla Norte, e empreendimentos de alto padrão concentrados no eixo sul. Entre eles existe um corredor de produto a ser testado, mas não presumido como demanda garantida.

GrupoPlayersSegmento
Regional / nacional de médio porteSoma Urbanismo, KATZ, VCA, operadores independentesStudios e compactos, R$ 400 mil a R$ 800 mil por unidade
Bandeiras premium e internacionaisFasano, JHSF, Vila Rica Capital (Nômade), Nampur (A Mata)Concentradas no eixo sul (Trancoso). Ultra-luxo

Presença institucional e espaço de posicionamento: a busca em portais institucionais não identificou lançamentos ativos de MRV, Cyrela, Even ou Direcional no eixo norte no recorte analisado. Isso não prova ausência definitiva de capital institucional; indica apenas que o vetor ainda não foi ocupado por essas bandeiras de massa. A assimetria existe enquanto a tese for comprovada por produto, preço e absorção.

Radar competitivo atual

Amostra detalhada de anúncios em Taperapuã, Village e Orla Norte. Consolida a base pública que fundamenta a leitura do Clube do Capital. Não se trata de pesquisa de VSO, estoque consolidado ou base transacional: são anúncios e páginas de busca utilizados como termômetro de posicionamento e faixa de preço. Os links abaixo permitem conferir diretamente os produtos, tickets e tipologias observados.

Apartamentos e produto de renda

Ativo / LocalizaçãoTipologia / ÁreaPreço / R$ por m²Fonte
Apartamento Rua das Figueiras · Taperapuã / Village II1Q · 50 m² (revenda)R$ 430 mil
R$ 8,6 mil/m²
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Apartamento dos Girassóis · Village I, Orla Norte1Q · 50 m² (revenda)R$ 315 mil
R$ 6,3 mil/m²
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Studio Rua do Telégrafo · TaperapuãStudio · 26 m² (oferta atual)R$ 396,45 mil
R$ 15,25 mil/m²
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Apartamento Rua do Telégrafo · Taperapuã3Q · 77 m² (oferta atual)R$ 586,99 mil
R$ 7,62 mil/m²
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Apartamento Rua Aldo Gucci · Taperapuã2Q · 75 m² (revenda)R$ 500 mil
R$ 6,67 mil/m²
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Valores de anúncio; não equivalem a preço transacionado, VSO ou estoque consolidado. As páginas de busca e anúncios são dinâmicas e podem ser atualizadas ou removidas pelos portais.

O que esta amostra mostra: a faixa recorrente para apartamentos convencionais bem localizados aparece entre R$ 6,3 mil/m² e R$ 8,6 mil/m². O studio de renda atinge R$ 15,25 mil/m², mas esse prêmio decorre de metragem muito compacta e da tese de locação curta. Ele não deve ser usado como preço base de unidades familiares.

Segmento horizontal: casas, duplex e terrenos

A amostra mais aderente à hipótese de baixa densidade. É o conjunto mais útil para testar a aderência de um condomínio de baixa densidade porque mostra o que o comprador local, de veraneio e de segunda residência já reconhece como alternativa de uso mais amplo.

Ativo / LocalizaçãoTipologia / ÁreaPreço / R$ por m²Fonte
Casa Rua dos Lírios · Taperapuã4Q · 164 m² (revenda)R$ 1,35 mi
R$ 8,23 mil/m²
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Casa Jardim Xurupita · Orla NorteDuplex · 89 m² (lançamento)R$ 595 mil
R$ 6,69 mil/m²
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Duplex Baixo Mundaí · Orla Norte3Q · 100 m² (revenda)R$ 790 mil
R$ 7,90 mil/m²
Abrir fonte
Terreno Alameda dos Ipês · Village II, ItaperapuãTerreno · 500 m² (revenda)R$ 300 mil
R$ 600/m²
Abrir fonte

Valores de anúncio; não equivalem a preço transacionado, VSO ou estoque consolidado.

Preço por m² observado no radar competitivo

As nove referências do radar competitivo. Terrenos (dourado) e produto construído (verde) não são diretamente comparáveis: são grandezas econômicas distintas.
Leitura do Clube do Capital

A concorrência local valida liquidez para moradia, veraneio e renda em produtos entre R$ 6,3 mil/m² e R$ 8,6 mil/m². Acima disso, o preço precisa ser justificado por produto, amenidades e operação. O Farol da Mirta não deve competir com imóvel genérico: a oportunidade só se sustenta ao converter parque, lago, baixa densidade e experiência em valor percebido.

Nota metodológica: links incorporados a partir da base de pesquisa do Parecer Técnico Consolidado do Clube do Capital (jun. 2026). Portais imobiliários exibem dados dinâmicos; anúncios podem mudar de preço, sair do ar ou migrar de URL. Os valores devem ser rechecados antes de qualquer decisão vinculante.

Seção 03 · Viabilidade de Demanda

Existe demanda qualificada, recorrente e ainda subatendida?

A demanda para o produto adequado a este ativo não é local: é importada. Isso muda a estratégia comercial, o produto ideal, o marketing e a sensibilidade macroeconômica do investimento. A renda per capita local de R$ 1.293,05 mensais impede que a demanda seja doméstica. O comprador do Farol da Mirta virá de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sul do país, Argentina, Uruguai e Portugal.

Mapa regional real do eixo norte de Porto Seguro

Imagem de satélite real do eixo Aeroporto, Porto Seguro, Taperapuã, Mundaí, Coroa Vermelha e Santo André, com o Farol da Mirta posicionado no vetor de expansão institucional ao norte da malha urbana consolidada.

Perfil A

Segunda residência qualificada

Casais de 40 a 65 anos, renda superior a R$ 30 mil por mês, ativos em SP ou MG. Permanência de 6 a 8 noites, uso familiar recorrente, rentabilidade complementar via temporada.

Ausente da oferta atual. Alvo natural
Perfil B

Investidor pulverizado

Compradores de studios de 27 a 40 m² operados via plataformas digitais, foco em Airbnb.

Superatendido (Villaggio, Terra Solis e outros produtos compactos de renda)
Perfil C

Residencial local

Fração pequena, limitada pela renda média local. Atende MCMV e loteamentos populares.

Atendido por operadores dedicados

O que realmente importa: o produto natural para o Farol da Mirta é o Perfil A, segunda residência qualificada.

10.085
Imóveis ativos no destino (AirDNA)
42%
Ocupação média anual em curto prazo, crescimento de aprox. 8% na oferta em 12 meses
R$ 690
ADR médio por diária
R$ 260
RevPAR

Em 2025, o aeroporto ultrapassou 2,3 milhões de passageiros nos primeiros onze meses, crescimento de 15,6% sobre o mesmo período de 2024. Porto Seguro liderou o ranking hoteleiro nacional da Omnibees no primeiro trimestre de 2025, com coeficiente de desempenho de 32,77%, à frente de Maceió e Rio de Janeiro. A permanência média do turista internacional é de 11 pernoites. Os hóspedes estão pagando mais, ficando mais tempo e viajando o ano inteiro: o retrato de um mercado em mudança de perfil, não de um ciclo temporário.

Cinco vetores atuam sobre a demanda entre 2026 e 2029

Copa do Mundo Feminina FIFA 2027

Salvador como sede; Complexo Yond como base de seleções.

Spillover do eixo sul

Trancoso saturou em preço, empurrando compradores para o norte.

Bandeiras internacionais

Fasano, JHSF, Nômade e Axêgu validam o território.

Infraestrutura pública

Aeroporto profissionalizado, ponte, corredores rodoviários.

Mudança do perfil aeroportuário

Turista doméstico de baixa renda dá lugar ao internacional de alta renda.

A leitura de demanda aponta espaço entre o produto de renda massificado e o ultra-luxo do eixo sul. A dimensão competitiva dessa lacuna foi tratada na Seção 02; a hipótese de produto é tratada na Seção 04, a seguir.

Seção 04 · Identificação de Oportunidade

Que oportunidade o ativo pode capturar sem replicar a oferta existente?

O que pode diferenciar o projeto e criar preferência de mercado, sem extrapolar o que os dados ainda não provam.

01

Transformar restrição em amenidade

O maior diferencial do ativo não é apenas a área edificável. É a possibilidade de transformar charco, faixa paisagística e áreas de menor ocupação em parque, lago, drenagem qualificada e vistas internas. Sem projeto e manutenção, essas áreas são custo; com uso, paisagem e acessibilidade, tornam-se atributo de preço.

02

Baixa densidade com experiência, não apenas metragem

O mercado local já absorve apartamentos, studios, duplex e casas. O Farol precisa oferecer uma combinação que o produto genérico não entrega: implantação aberta à paisagem, privacidade, lazer real, circulação agradável e proximidade da orla.

03

Uso próprio em primeiro lugar, renda como camada opcional

A locação de curta temporada amplia a atratividade, mas não deve ser a única razão de compra. A base mais resiliente é a segunda residência qualificada, comprador que usa, guarda e eventualmente aluga.

04

Mix com núcleo líquido e unidades de exceção

A hipótese mais defensável não é preencher o empreendimento com unidades muito caras. O núcleo deve buscar tipologias repetíveis e líquidas; poucas unidades maiores podem capturar parque, lago e vista, mas não devem carregar sozinhas a viabilidade.

05

Faseamento como mecanismo de prova

A implantação por fases permite testar preço, absorção, operação de locação e aceitação de amenidades antes de expor todo o capital. Em um mercado de referências ainda pulverizadas, fasear é controle de risco, não atraso.

06

Narrativa de Orla Norte, não cópia de Trancoso

O projeto deve ser vendido pelo que é: um parque residencial de baixa densidade na Orla Norte, com acesso à praia e paisagem própria. Posicioná-lo como versão barata de Trancoso criaria comparação impossível; posicioná-lo como produto distinto cria território de marca.

07

Prêmio de preço depende de prova

O ambiente regional permite testar prêmio sobre o produto convencional, mas os anúncios atuais não comprovam automaticamente um preço premium em larga escala. A defesa de preço dependerá de massa, arquitetura, paisagismo, faseamento, canal comercial e pesquisa primária.

Hipótese preliminar de produto

Hipótese de produto âncora

Village residencial de baixa densidade, com casas ou villas de 120 a 180 m², duas ou três suítes, jardim privativo e áreas comuns conectadas a parque e lago.

Ticket indicativo de teste: R$ 1,2 milhão a R$ 2,5 milhões. Esta faixa é uma hipótese de trabalho, não preço de lançamento.

Unidades de exceção

Poucas casas de 250 a 350 m², posicionadas para capturar as melhores relações com vista, parque e lago.

Devem funcionar como halo de marca e prêmio de produto, mas representar parcela restrita do mix até que a pesquisa de demanda comprove absorção.

O que o Clube do Capital não recomenda como tese central: loteamento simples tende a capturar menos valor e desperdiçar a amenidade do terreno. Torre alta genérica não conversa com o gabarito de referência, a paisagem nem a lógica de baixa densidade. Um condomínio composto apenas por studios aumenta a exposição a um segmento já direcionado à renda de curta temporada. A direção preliminar mais aderente é um parque residencial de baixa densidade, faseado, com uso próprio como proposta central e locação opcional como complemento.

Conclusão preliminar

O preço pedido de R$ 22 milhões só pode ser defendido se o desenvolvimento converter as amenidades do ativo em produto percebido: parque, lago, vista, baixa densidade e uso recorrente. Isso é uma direção estratégica, não uma definição final de mix, VGV ou viabilidade.

Seção 05 · Análise de Risco

O que deve ser confirmado para comprar, precificar e desenvolver com disciplina

Pontos de atenção que precisam ser resolvidos ou condicionados contratualmente antes de qualquer proposta vinculante.

01

Área útil edificável

A área efetivamente construível é da ordem de 20.000 m², 22,5% da matrícula. Isso reduz o potencial construtivo operacional a 16.000 m² computáveis de referência e reposiciona o preço em R$ 1.100/m² sobre área útil.

02

APP de restinga

Faixa potencialmente não edificável após decisão do STJ de dezembro de 2025. Já contemplada dentro da camada paisagística. Precisa de laudo botânico e consulta formal ao INEMA.

03

TI Ponta Grande em estudo

Portaria FUNAI 750/2017. Limites geográficos ainda não plotados. Exige consulta formal à FUNAI.

04

Situação sucessória

Seis herdeiras vendedoras. Procurações e inventário precisam ser validados juridicamente antes de qualquer proposta vinculante.

05

Percepção de segurança pública

Porto Seguro figura na 8ª posição do Atlas da Violência 2026, com taxa de 64,6 homicídios por 100 mil habitantes. Risco de imagem da cidade, não do território específico do ativo, mas deve ser tratado explicitamente na estratégia de marca e comunicação do produto.

#Diligência que precisa preceder a negociação
1Levantamento topográfico georreferenciado que confirme a área da matrícula e distinga a área útil edificável.
2Laudo botânico especializado que dimensione a incidência de APP de restinga.
3Certidão municipal definitiva de zoneamento que confirme as subzonas APL-2A, APL-2B e ZT incidentes sobre o polígono.
4Consulta formal à FUNAI sobre limites da TI Ponta Grande.
5Validação jurídica das procurações das seis herdeiras e da situação sucessória.

Sensibilidade econômica do ativo

Capacidade, VGV e preço de entrada: como uma variável pressiona a outra. Este complemento não define o produto final, a velocidade de vendas, a TIR ou o VGV do empreendimento. É um exercício de sensibilidade, não um estudo de viabilidade (EVTE).

CenárioÁrea útil adotadaCA de referênciaPotencial operacionalLeitura
Conservador18.000 m²0,8014.400 m²Perda de área útil por condicionantes
Base20.000 m²0,8016.000 m²Premissa atual do Dossiê
Expansivo22.000 m²0,8017.600 m²Só com confirmação técnica favorável

Curva de sensibilidade: preço médio x VGV bruto

VGV bruto de referência sobre 16.000 m² de potencial construtivo operacional.

Uma variação de 2.000 m² na área útil altera o potencial em 1.600 m². A preços de referência entre R$ 8.000/m² e R$ 13.750/m², essa diferença pode representar R$ 12,8 milhões a R$ 22,0 milhões de VGV bruto indicativo. Não é previsão de receita.

Leitura do Clube do Capital: abaixo de R$ 140 milhões de VGV, o peso do terreno tende a ficar pressionado. R$ 150 milhões é um piso de referência a ser testado. A faixa entre R$ 170 milhões e R$ 185 milhões apresenta maior equilíbrio preliminar; R$ 200 milhões exige preço, mix e absorção comprovados. São faixas de sensibilidade, não uma recomendação de VGV.

Régua econômica: VGV de R$ 150 milhões pressupõe preço médio de R$ 9.375/m²; R$ 180 milhões exigem R$ 11.250/m²; R$ 200 milhões exigem R$ 12.500/m².

Tempo, correção e custo de capital

Como R$ 22 milhões mudam quando o terreno é carregado por cinco anos, com correção equivalente ao IPCA, elevando a receita mínima necessária para manter o terreno em até 15% do VGV.

IPCA médio anualTerreno corrigido em 5 anosVGV para terreno = 15%Preço médio sobre 16.000 m²
3,5% a.a.R$ 26,1 milhõesR$ 174,2 milhõesR$ 10.887/m²
4,5% a.a.R$ 27,4 milhõesR$ 182,8 milhõesR$ 11.423/m²
6,0% a.a.R$ 29,4 milhõesR$ 196,3 milhõesR$ 12.267/m²

No cenário intermediário de 4,5% a.a., os R$ 22 milhões passam a equivaler a aproximadamente R$ 27,4 milhões em cinco anos. Quanto maior o prazo de carregamento do terreno, menor deve ser a disposição para comprar à vista pelo valor cheio antes da diligência. Uma estrutura condicionada aos marcos técnicos reduz a exposição inicial do incorporador.

Filtro de capital: diligência e governança

Sob a ótica institucional, o Farol da Mirta apresenta três atributos difíceis de reunir no mesmo ativo: escala consolidada, composição paisagística embutida e catalisadores temporais definidos.

Perfil de investidorAdequação
Family office focado em real estateAtivo se qualifica para análise mais profunda.
Fundo institucionalQualifica para due diligence estruturada, condicionada a pacote consolidado de modelagem e tese de produto.
Empreendedor com capital próprioQualifica para posicionamento antecipado dentro do momento de mercado favorável.
Riscos jurídicos

APP de restinga, TI em estudo, sucessão. Todos endereçáveis, com custo de resolução mapeável.

Riscos regulatórios

Interpretações locais do Plano Diretor, adequações da Lei 2.045/2024, licenciamento urbanístico. Padrão de mercado em cidades médias.

Riscos de mercado

Sensibilidade macroeconômica da demanda importada, ciclos de juros, percepção de segurança pública. Não específicos do ativo.

Leitura institucional: em linguagem de capital, o Farol da Mirta é um ativo bem posicionado antes da entrada de novos competidores, em um mercado em mudança de perfil, com escala rara e composição interna que embute amenidade paisagística em proporção incomum para o eixo norte. Os riscos técnicos são endereçáveis. A tese, para ser apresentada a um fundo, exige o pacote consolidado que combina modelagem econômica, tese de produto e relatório institucional dedicado. É o tipo de ativo que investidores institucionais procuram e raramente encontram.

Pacote de diligência esperado

Topográfico georreferenciado com ART Laudo botânico de restinga (INEMA) Certidão municipal por polígono Consulta FUNAI · TI Ponta Grande Certidões das seis herdeiras Análise sucessória do inventário Consulta DNIT · faixa de domínio BR-367 Regularidade cartorial Pesquisa primária de intenção de compra Modelagem econômica de VGV
Seção 06 · Direção Estratégica

Qual a direção de avanço e a ordem correta das decisões?

O Clube do Capital emite parecer favorável ao avanço da diligência estratégica sobre o Farol da Mirta, com aquisição condicionada à resolução das cinco condições críticas apresentadas na Seção 05 e à modelagem econômica dedicada que confirme os pressupostos de equilíbrio operacional.

O parecer não é de compra imediata. É de avanço com estrutura.

Pilar

Consistência da tese

Atributos favoráveis e riscos materiais organizados em sequência verificável, com separação entre evidência, inferência e pendência técnica.

Pilar

Posicionamento

Sobre a área útil, o ativo está em faixa premium regional, pela escala rara, amenidade embutida e ocupação de um vazio competitivo.

Síntese Executiva

O que já sabemos e o que ainda precisamos decidir

As informações mais relevantes deste Dossiê, condensadas para decisão rápida.

O que já sabemos

A Costa do Descobrimento passa por mudança de perfil, do turismo popular para um mosaico segmentado com capital institucional e bandeiras internacionais.

Porto Seguro cresceu 32,69% em população entre 2010 e 2022, o dobro da média baiana.

O aeroporto ultrapassou 2,3 milhões de passageiros nos onze primeiros meses de 2025 (+15,6% sobre 2024), com alta mantida em 2026 (+20,76% no Q1).

O padrão anual de operação do aeroporto descaracteriza a leitura de destino estritamente sazonal.

Ocupação AirDNA anual de 42% sobre 10.085 imóveis ativos na região.

Investimentos privados anunciados superam R$ 8 bilhões: Yond (R$ 1,8 bi) e Axêgu (meta R$ 5 bi).

A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 opera como catalisador de mídia global entre 2027 e 2028.

A amostra aponta uma lacuna a ser testada entre o produto compacto de renda e o alto padrão do eixo sul; não há evidência suficiente para cravar um ticket premium antes de pesquisa primária.

A busca em portais institucionais não identificou lançamentos ativos de MRV, Cyrela, Even ou Direcional no eixo norte no recorte analisado.

O ativo aparenta estar ao sul do Rio dos Mangues; a não incidência da APA Coroa Vermelha deve ser formalmente confirmada pelo INEMA.

Área da matrícula: 89.000 m² (8,90 ha), composta por 22,5% área útil (20.000 m²), 13,5% área hídrica (12.000 m²) e 64% faixa paisagística (57.000 m²).

Potencial construtivo computável de referência da ordem de 16.000 m², sob coeficiente 0,80 sobre a área útil, antes de estudos de massa e eventuais descontos ambientais.

Sobre a área útil, o preço pedido equivale a R$ 1.100/m²; só se sustenta se amenidades, produto e absorção comprovarem o prêmio sobre o estoque local.

VGV abaixo de R$ 140 milhões tende a pressionar o peso do terreno; a faixa de R$ 150 a R$ 200 milhões exige produto premium e validação financeira dedicada.

A sucessão envolve 6 herdeiras. Validação jurídica é necessária antes de qualquer proposta vinculante.

O que ainda precisamos decidir

Produto ideal

Tipologia, mix e programa de amenidades. Direção preliminar aponta village de baixa densidade; definição formal exige pesquisa primária.

VGV alvo

VGV por fase, preço médio, ritmo de absorção e margem compatíveis com o produto.

Viabilidade econômica

TIR, payback e WACC compatíveis com o perfil de risco do ativo.

Estrutura de aquisição

Arquitetura ótima diante do valor pedido, da composição sucessória e das alternativas de mercado.

Estratégia comercial

Posicionamento de marca, mix de canais e modelo de precificação para a demanda importada.

Pesquisa primária

Intenção de compra qualificada em SP, MG, Sul, Argentina e Portugal. Sem ela, a demanda é bem fundamentada, mas não medida.

Roteiro de execução

A Inteligência Estratégica do Clube do Capital opera em camadas sequenciais. Este Dossiê corresponde à Inteligência Territorial e Mercadológica.

Concluído
Diagnóstico de localização e leitura territorialEntregue · Seção 01
Concluído
Mapeamento preliminar da concorrência diretaEntregue · Seção 02
Concluído
Análise macro de demanda e perfil de compradorEntregue · Seção 03
Concluído
Identificação de oportunidades e riscos do ativoEntregue · Seções 04 e 05
Concluído
Recomendação estratégica e Visão de CapitalEntregue · Seções 05 e 06
Concluído
Reunião 1:1 ao vivo com Mariana FontanaAgendada
Análise georreferenciada em raios estratégicosQual a hierarquia de valorização por camadas concêntricas ao redor do ativo
Dados demográficos integrados (IBGE, DataViva, SIDRA)Quem é, com precisão estatística, o comprador que o produto precisa capturar
Pesquisa de intenção de compra com perfis qualificadosExiste demanda transacional real ao preço-alvo, medida e não apenas inferida
Benchmark competitivo aprofundado e análise de VSOEm que velocidade produtos comparáveis vendem, e qual o VSO defensável
Tese de Produto: tipologia e narrativaQual o produto certo, com qual narrativa, para qual comprador
Relatório consolidado para apresentação a fundosComo levar a tese à mesa institucional com a densidade que ela merece
Etapa futura
Estruturação comercial e lançamentoApós pacote consolidado da camada anterior

"Nenhuma inteligência elimina risco. Boa inteligência nomeia o risco, hierarquiza o risco e oferece caminhos para endereçar cada camada com trabalho técnico proporcional. O que fica registrado aqui é o território, o ativo, a demanda, a concorrência, a leitura estratégica e o parecer do Clube do Capital. O que virá em seguida é o produto, o VGV, a viabilidade e a estrutura."

Mariana Fontana · Diretora, Clube do Capital
Próximos passos

Um Dossiê é o mapa. A próxima camada é a expedição.

Este Dossiê termina aqui. A próxima etapa, a Inteligência Mercadológica Aprofundada, começa com a conversa direta com a Diretora.

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